Rede dos Conselhos de Medicina
As múltiplas faces da relação médico e paciente
Notícias
Sex, 13 de Novembro de 2020 13:10

É necessário que o médico e o paciente estabeleçam um relacionamento de confiança para que o tratamento transcorra da melhor forma.

As soluções apresentadas dentro de um tratamento são diversas.  Pode ser de forma completa (cura) ou incompleta. Há casos em que não há cura, mas uma forma de conviver com a doença com o uso de medicamentos e/ou mudança no estilo de vida, como diabetes, hipertensão arterial sistêmica, enfisema pulmonar, entre outras.

Além de usar medicamentos, como no caso da diabetes, são necessárias: dieta específica e atividade física, entre outras medidas. No enfisema pulmonar, além de medicamentos e fisioterapia respiratória, o abandono do uso do fumo é determinante. Há outras doenças que causam sequelas, as quais devem ser minimizadas com o uso de prótese, sessões de fisioterapia e de fonoaudiologia, entre outros recursos. Como exemplo, tem-se o AVC - Acidente Vascular Cerebral, o qual pode deixar sequelas, ainda que tenha um bom atendimento. Há outras doenças incuráveis. Para elas, há medidas paliativas que fazem desse momento da vida menos doloroso e mais reconfortante à medida que a aceitação do indivíduo doente permitir.

Embora a morte seja aceita como o insucesso do atendimento médico, é importante lembrar que todos morrem independente de doença ou acidentes. Morrem médicos e pacientes. Morre-se com o médico, sem o médico e apesar do médico.

Colocadas essas situações que podem ocorrer dentro de um tratamento, médico e paciente vão conviver mais facilmente quando os resultados esperados forem os melhores. Por outro lado, quando o percurso é incerto e até com probabilidade de um mau desfecho, as más notícias vão gerar conflitos internos e externos para esses dois seres humanos.  Dessa forma, é preciso que a relação esteja alicerçada na confiança, para que o paciente se sinta seguro que o médico esteja usando os melhores e mais atualizados meios de diagnóstico e tratamento.

O Código de Ética Médica (Resolução no   2.217/2018) trata no capítulo V (artigos de 31 a 42) da relação entre  médico, pacientes e familiares. Orienta que o médico respeite os direitos dos pacientes ou de seu representante legal em decidir livremente sobre as práticas diagnósticas e terapêuticas propostas, exceto em caso iminente de morte. Recomenda usar todos os meios de promoção da saúde, prevenção, diagnóstico e tratamento cientificamente reconhecidos a seu alcance em favor do paciente. Reforça a obrigatoriedade do médico em repassar as informações ao paciente ou a seu representante sobre o diagnóstico, o prognóstico, os riscos e os objetivos do tratamento.

Assim sendo, uma prática médica executada sob essas orientações muito contribui para evitar a judicialização dos casos clínicos e cirúrgicos. Muitas vezes, nessas situações são colocados fatos fora de contexto para causar sensacionalismo na mídia.

Se por um lado existe um paciente pouco esclarecido, com dificuldade de sustento, aquisição  de medicamentos, acesso a meios de diagnóstico e tratamento, entre outros;  por outro, há um profissional médico que estudou no mínimo 10 anos ( a contar após o término do ensino médio), vive de plantões, sobrecarregado de atividades e responsabilidades, e, muitas vezes, sem estabilidade no trabalho. De fato, não é uma relação de equilíbrio, mas ambos estão expostos a um sistema de saúde que postula acesso igualitário à saúde, inclusive em seus aspectos negativos. Realmente, todos recebem tratamento igualmente carentes e deficitários nos “mutirões de cirurgias” e nas filas infinitas para meios de diagnósticos e tratamentos cirúrgicos.

Assim sendo, é necessário que médico e paciente mantenham um bom relacionamento para que o tratamento cumpra o seu objetivo em favorecer o sujeito que adoece com a cura ou o alívio de suas queixas.  Eles precisam ser mais fortes que as adversidades trazidas pelo sistema de saúde vigente.

 

Bibliografia

Conselho Federal de Medicina (CFM – Brasil). Código de Ética Médica. Resolução n° 2.217/2018. Disponível em: < http://cem.cfm.org.br/#Cap5 >. Acesso em: 18 de julho de 2020.

 

 Autora: Zeneida Puga. Formada em Letras e Medicina (UFAM). Especialista em Clínica Médica pela Sociedade Brasileira de Clínica Médica (CRM 2019/RQE 1310). Mestre em Educação (FACED/UFAM)

 

 

 
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