O Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Conselho Regional de Medicina do Estado do Amazonas (Cremam) realizaram, em 8 de outubro, mais uma edição do projeto Divulga CFM. O encontro discutiu a Resolução CFM nº 2.147/2016, que trata das atribuições, deveres, direitos e responsabilidades de diretores técnicos, diretores clínicos e chefias de serviço em estabelecimentos de saúde. A palestrante foi a conselheira federal Maíra Pereira Dantas, eleita pela Bahia. Compuseram a mesa de abertura, além da representante do CFM, Juliana Santana de Melo Tapajós; a secretária-geral do Cremam, Tatiane Lima Aguiar; e o subsecretário de Gestão da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus (Semsa), Djalma Coelho. Também participou do evento, Nivaldo Amaral de Souza, conselheiro federal suplente pelo estado do Amazonas.
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Na abertura, Juliana Tapajós destacou que a norma não se limita a estabelecer obrigações. “Os diretores também têm direitos, e é importante que a gente conheça esses direitos”, afirmou. Segundo ela, a resolução assegura ao médico em função de direção condições para agir quando o funcionamento do serviço coloca a assistência em risco. A presidente também reforçou que o papel do Conselho vai além da fiscalização: “O principal objetivo é orientar, prevenir e oferecer segurança ao médico”.
Na palestra, Maíra Dantas traçou um panorama da gestão em saúde no país. Ela citou o envelhecimento da população, o aumento de pacientes com alta dependência e a oferta de leitos hospitalares que, segundo ela, não acompanhou essa demanda. A conselheira também abordou o crescimento da judicialização da saúde. Com base em relatório do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em parceria com o Insper, afirmou que a maior parte das ações judiciais trata de acesso a serviços.
A conselheira explicou a diferença entre as funções previstas na norma. O diretor técnico responde pelas condições estruturais e ético-legais do estabelecimento. O diretor clínico representa o corpo clínico. Já o responsável técnico (RT) pode ser exigido em setores específicos, como uma UTI, que demanda especialista com Registro de Qualificação de Especialista (RQE) na área.
Após a palestra, o evento seguiu com uma sessão de perguntas dos participantes. Tatiane Aguiar lembrou que a diretoria técnica é obrigatória em todos os serviços de saúde, mas que o Cremam identifica estabelecimentos sem diretor técnico nomeado ou com dificuldades para consolidar a função. “A diretoria técnica é uma ponte da gestão com a assistência”, disse, ao defender que mais médicos assumam cargos de liderança.
Djalma Coelho classificou o encontro como uma ação de educação permanente e propôs que o Cremam promova uma conversa com gestores públicos sobre o tema. Ele colocou a Semsa à disposição para esse diálogo.